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Biblioteca Escolar, Leitura-escrita e Web 2.0

5 dezembro 2011 810 visita(s) Um Comentário

Por Cássia Furtado e Lidia Oliveira especial para a biblioo

PORTO, PORTUGAL – A sociedade contemporânea, sob forte impacto das tecnologias de informação e comunicação, oferece mudanças nos processos de acesso e uso da informação por parte dos indivíduos, uma vez que têm à sua volta uma heterogeneidade de espaços a disponibilizar informação. Em decorrência dessas alterações, as instituições educacionais perderam o monopólio de detentoras do conhecimento e fontes de informação e aprendizagem.

Esse fato atinge a biblioteca escolar e de maneira mais aguda. Levado em consideração que, por estar inserida no sistema educacional, sofre as implicações das mudanças de paradigmas que atingem a educação, assim como também, o novo perfil do seu utilizador potencial, crianças e jovens, que sofreram mudanças drásticas se comparado com algumas décadas precedentes.

O conhecimento precoce das novas tecnologias

Os meios de comunicação e a forte introdução tecnológica no ambiente doméstico, possibilitam que os alunos, ao frequentarem uma instituição educacional, já carreguem um leque de informações vasto e diversificado, apesar de ainda não dominarem o código alfabético. Além do que, na maioria das situações, já utilizam com desenvoltura, as mais modernas tecnologias de comunicação e informação.

Esta realidade ratifica a responsabilidade da família em preparar as crianças e jovens para o uso benéfico das tecnologias e a escola com o encargo de converter o uso da internet em contributo para a aquisição de informação e construção do conhecimento.

A biblioteca escolar, tradicionalmente vinculada ao acesso à informação e à leitura, dentro do processo de educação formal, continua na Sociedade da Informação a ser o centro informacional da escola, que enriquece o processo ensino e aprendizagem. Mas, agora, assume novos papéis e responsabilidades, é o cerne gerador de ambientes leitores híbridos.

Considera-se como uma das competências mais necessárias dos indivíduos na sociedade atual a capacidade de leitura híbrida: “ler” diferentes conteúdos, em diversos formatos e suportes, somar a leitura de documentos impressos às informações advindas do media (?), com autonomia crítica face aos conteúdos dos mesmos e também, ter capacidade de se expressar e manifestar suas opiniões, de forma responsável, nos diversos tipos de documentos e meios de comunicação.

A leitura alfabética como competência básica

Todavia, esse conjunto de competências tem como base a leitura alfabética que continua a ser a competência básica e principal, é a forma de aquisição de informação e o ponto de partida para as habilidades decorrentes e futuras, condição fundamental para o exercício da cidadania. O indivíduo hábil nos processos cognitivos e mecânicos da leitura, de maneira plena, apresenta mais condições para dedicar-se à leitura por prazer, para ser absorvido pelo texto literário.

Considera-se que o ambiente virtual engrandece as práticas de leitura e escrita, mesmo que não sejam as práticas requeridas pelas instituições educacionais, mas estas não podem ser menosprezadas, pois a cada avanço da tecnologia a formação de leitores e suas práticas são afetadas, isto aconteceu desde a invenção da imprensa e continua a perdurar.

Com os meios de comunicação tradicionais tinha-se um desenho assimétrico da comunicação e uma divisão clara dos papéis, com a web 2.0 percebe-se alterações no processo da comunicação, mudanças de atitudes e de comportamentos dos usuários. A lógica divisória entre emissor-receptor fica cada dia mais tênue, têm-se a oportunidade de operar tanto como emissor como receptor, leitor como escritor, consumidor e produtor de informações e conteúdos.

Percebe-se então que, com a web 2.0, torna-se mais imperativo a formação de leitores e atividades inovadoras em torno da leitura a serem oferecidas pelo sistema educacional, em especial as oferecidas pela biblioteca escolar, que tem esta como uma das suas principais funções.

Dessa maneira, torna-se relevante conhecer as atividades que as crianças desenvolvem quando usam internet, pois assim as bibliotecas podem desenvolver estratégias mais eficientes no incentivo à leitura e mais próximas da realidade do seu público, buscando resgatar também o leitor que se encontra disperso, conquistando dessa maneira a formação de novos utilizadores.

Com a constante presença da internet no cotidiano das crianças, considera-se que a biblioteca deve incluir nas atividades de leitura os sítios de livros digitais, visando trabalhar com os dois formatos: livros impressos e livros digitais. Além do que, pode utilizar sítios diversos relacionados com a literatura e outras expressões culturais para o incentivo à leitura literária, fazendo a ponte entre as diversas manifestações culturais.

Leitor tradicional versus o moderno

A web 2.0 possibilita maior dinamismo à leitura, pois permite ao leitor amplo espaço de atuação: ler, recriar e criar em cima do texto. Em tempos remotos, o leitor se manifestava com escritos nas margens do livro e/ou marcação de trecho que considerava relevante, em um ato isolado e silencioso. Essa atitude perdura nos dias atuais, entretanto, afora essa manifestação solitária e resguardada, o leitor agora, pode partilhar suas experiências e emoções, através dos media sociais (?) e interagir com os outros leitores e até mesmo com o próprio autor. O leitor além de mais ativo e autônomo, tem mais oportunidade de seleção, de criação e até de reinvenção do texto nas mais variadas formas de expressão.

Dessa forma, pondera-se que esse espaço de incentivo à leitura na web social deva ser da responsabilidade da biblioteca escolar, tendo como repertório livros impressos e digitais e a formação de redes de leitores-escritores, congregando toda a comunidade escolar, aqui incluso os docentes e a família do educando, para interação e participação na temática da literatura infantil e juvenil, gerando assim uma nova forma de sociabilidade.

Cássia Furtado é professora mestre da Universidade Federal do Maranhão, doutoranda em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais na Universidade de Aveiro (o Porto, Portugal) e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão.

Lidia Oliveira professora doutora do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro/PT. Pesquisadora do Cetac.media.

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